Sou a saudade de uma casa com varanda que ainda não foi construída, de filhos ainda sem nome, e de uma historia de amor que ainda não vivi. Vivo o amargor de sonhar, planejar e escrever um romance sozinha. Eu quero o que ainda não existe, digo ser otimista, porem, quando pergunto se um dia essa historia chegará, sou pega pelo tempo, e seus joguinhos de azares.
Pode parecer cômico, mas a melhor parte de mim é aquela que eu ainda não conheço aquela que ainda não vivi. Por isso sempre me embaralho quando pedem para me descrever. Sou uma charada que nem eu mesma consigo decifrar. Decifre-me, e me faça querer ser livre de enigmas e fantasias. Faça-me descobrir esse amor que há aqui dentro, e que venho procurando insanamente por tanto tempo.
Disponha-se a ver o amanhecer ao meu lado, e nem que for por um instante, pousar-me em seus braços. Não preciso da eternidade, um instante já me basta. Eternidade é uma palavra que me causa medo, e imagino que seu significado também. O amor também me causa medo. Imaginar me entregando a um coração desconhecido, é algo aterrador.
O amor que aqui me habita, é semelhante a aquele livro encostado na estante da biblioteca, e que ninguém se deu o trabalho de ler pelo menos um trecho. As palavras são rebuscadas, e minúsculas demais para serem compreendidas. Vez em quando eu me dou esse trabalho. E ao contrario das pessoas, o leio com facilidade, e consigo compreendê-lo com maestria. Grifo algumas palavras, dobro as paginas, e acabo molhando-o com minhas lágrimas pela infelicidade de somente eu conseguir compreender, e chegar até fim. Depois, tento deixa-lo jogado na esperança que alguém o encontre, e se deixe levar pela linda historia de amor ali escrita. Porem, ainda não permito deixar que alguém a leia.
