Confesso que esses amores do século XXI me assustam- Falando assim, parece que eu tenho uns 80 anos né, não quase 22 -. Amores quebráveis, instantâneos, fugaz e extremamente superficiais. Amores que se desviam dramaticamente do que dia já chamamos de amor.
A geração da selfie, do recalque, e do desapego desenfreado. A geração egomaniaca. A pequenez é tão grande, que o amor legitimo arrumou as malas e foi embora.
E com o passar do tempo às relações se tornam ainda mais descartáveis. E se em um dia o “amor” parecesse sair pelos poros, no outro, ele se converte em ódio e desprezo, acabando com a atração um dia ali sentida, dando espaço para uma leve magoa.
As pessoas deixam de amar umas as outras quando aquela relação não lhe és mais conveniente. Por isso muitos acabam deixando de expressar uma cutícula de humanidade e compaixão por aquele que se julgou amar um dia.
Ninguém é maduro o suficiente para aceitar que o outro seja feliz em outros braços – muitos ainda preferem que outro passe a mendigar afeto e, lamente o fim da relação, mesmo que já não sinta mais nada por aquele ser.
O Narcisismo soberbo grita aos quatro ventos que não devemos nos importar e, que só encontra a felicidade, quem é livre leve e desapegado. E que o nosso sorriso vem decorrente as lágrimas do ex “amor”.
Nessa barca da modernidade, não são somente os amores não duráveis que me assustam; entendo que cada um defende o direto de trocar de parceiro como troca de roupa e, exibi-lo nas redes sociais como uma blogueira que posta uma foto a cada novo look do dia, tudo bem se isso lhe faz feliz. O que mais me assusta, é a enorme capacidade humana de transformar amor em ódio, estima em calunia em um espaço de tempo tão pequeno.
Temo que essa geração egocêntrica e individualista, não saiba amar nada alem de si mesma. Temo que tenhamos perdido o feeling pela vida e pelas pessoas. Que elas aprendam a preservar o respeito pelo outro, mesmo quando o amor já não existe mais ali. Temo que as pessoas não consigam mais elevar seus espíritos, de maneira que o desapego seja apenas uma consequência, e, não algo que buscamos desenfreadamente.
Que sejamos nobre para desejar a felicidade do outro, sem a necessidade de esfregar a nossa na cara de ninguém. E que todos entendam que no final das contas, o importante é estar de bem consigo mesmo. E desejar mal para alguém que já nos proporcionou momentos de felicidade não é a atitude mais madura e sensata.
Amar alguém que já nos causou algum tipo de dor, não significa que nos amamos menos. Pode ser justamente o contrario. Pois só distribuímos aquilo que temos de sobra. Que um dia possamos entender que o amor verdadeiro nunca deixa de existir, ele só ganha uma formatação diferente conforme o que nos é imposto.

