blog_dura_nas_quedas_nao_e_amor_mas_insiste_tanto_em_ser_we_heart_it

As horas passavam tão rápido quando estava ao lado dele.  As mensagens no celular eram muitas. E as horas em que eu ficava sobre o peito dele também.

Por inúmeras vezes eu pensei em por fim naquilo não tinha nem começo, nem meio, e quem dirá um fim. Eu nunca soube nomear aquilo da maneira correta. Ele não era meu amigo, não era  meu namorado, e muito menos somente um p.a. A gente conseguia ser mais do que qualquer rótulo, mas ser menos que qualquer sentimento mais forte.

Não queria que ele viesse dessa vez, na verdade eu queria. Na verdade eu não queria que ele visse, e me fizesse mais apaixonada por ele, e depois me deixar sozinha como sempre. Porque sempre que ele vem, ele entra na minha casa, e em mim, demora, mas não mora. Me abraça, mas não me laça. E eu continuo sozinha, mesmo sendo dois. Não é fácil gostar dele, já tentei o matar, mas no fim,  fui eu que quase acabei morrendo. Mas eu sempre acabei ficando aqui com cara de idiota toda vez que ele fechava a porta, olhando toda bagunça que ele fez; na minha casa, na minha cama, na minha cabeça, e vez em quando no meu coração.

Eu só queria que isso acabasse, na verdade eu não queria que tudo isso acabasse. Eu só queria não me “apaixonar” mais a cada noite, e terminar lá sozinha com o cheiro dele no meu lençol.

Depois de jogar todo seu rastro de prazer em mim, ele vai virar para o lado, olhar no relógio, e mais uma vez dizer que precisa ir. Às vezes ele vai porque precisa estudar pra prova, às vezes porque vai jantar com seus pais, ou porque vai buscar sua irmã mais nova na aula de balé, e às vezes nem se dá o trabalho de dizer algum motivo. E eu só queria ser o motivo pra ele ficar, ou pra ele voltar. 

Eu só queria ser a sua prova, sua foda, seu jantar, eu só queria ser sua.

Mas eu também não faço por menos. Já faltei à reunião com os amigos dele que havia implorado para eu ir, já deixei de ir ao cinema, passear em Ipanema, e não tive nenhuma pena.  Ele não gostava de se exibir pra mim, mas queria que me exibisse com ele.

Parece contraditório, não é? Mas na verdade é mesmo. Ao mesmo tempo em que desejava que o nosso não amor continuasse, eu queria que nossa relação fosse mais a fundo. 

Queria que nossas discussões não fossem somente de política, ou qual fase do Caetano é melhor.  

Eu queria brigar pela toalha molhada em cima da cama, e por ele ter se esquecido da nossa data de aniversário de namoro. Se bem que é mais fácil isso acontecer comigo.

Meu erro era  querer mergulhar de cabeça, quando ainda não havíamos molhado nem mesmo o tornozelo. Meu erro é querer pular de paraquedas, e ele querer apenas uma companhia para andar nas nuvens. Ele quer meter, e eu apenas o ter.

Não é amor, mas insiste tanto em ser.


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