Claro que me lembro das juras impensadas e rasas que fizemos um ao outro naquela noite.  Mas a convivência me fez perceber que eu nunca serei capaz de cumpri-las.

Eu tentei fervorosamente, juro que eu tentei, mas como não consigo cumprir nem mesmo a dieta que me proponho toda segunda feira, acho pouco improvável eu conseguir cumprir algo maior.

Claro que me lembro da parte de você dizendo que não queria nada mais sério agora, inclusive de você dizendo que ainda estava machucado de uma relação anterior que terminou com um ponto final mal pintado parecendo uma vírgula.

Eu me lembro de tudo, mas ainda assim não posso me culpar.
Eu me lembro do nosso tratado. Lembro de que uma das regras era ir devagar e, ir vivendo um dia por vez, concordei e ainda concordo, o pior é que eu tentei de tudo.  Tentei não me prender, tentei te ver do mesmo modo que me via, até que eu passei a sentir.
Tentei tanto não me prender, que acabei me prendendo, e acabei perdendo as chaves também;  sei que isso é um problema só meu já que você pulou fora antes mesmo de entrar.

Ainda estou tentando me acostumar a ver isso como um problema, mas pra mim na verdade é uma solução. É muito difícil deixar o freio de mão puxado quando o assunto é se dedicar; acalmar cabeça e coração e evitar responder aquela mensagem logo que o visor do celular acende. Eu sou um acelerador, e hoje eu sei o mal que isso me faz. Colocar o carro na frente dos bois pode acarretar certos acidentes.

Percebi que sei pouco de mais sobre o muito que acredito ter vivido.  As lições cumpridas são muito poucas perto das que ainda preciso cumprir. Acreditava estar fazendo o certo em lhe acomodar no tempo em que achávamos que precisávamos para nos recompor. Acontece que eu não precisava nem de tempo e muito menos recompor-me pra saber o que eu queria.

Lembro-me de cada palavra que usamos para preencher o manual do nosso jogo, e como todo manual, ficou esquecido na gaveta do criado mudo acumulando poeira. Preferi lhe fazer bem, ao invés de segui as regras que havia me imposto.

O plano era me tornar a sua exceção. Não faz Idea do quanto eu desejei lhe perguntar sobre o seu dia e contar cada novidade que aparecia no meu. Mas preferi não lhe sufocar com as minhas sandices.

É de mais eu achar que  aquela frase “Amor certo, hora errada” se encaixa em nós, até porque, acredito que essas cosas não tem hora certa pra acontecer, muito menos uma hora errada.

Amor é algo que não da para se encomendar como um bolo na padaria da esquina quando temos vontade. Eu não escolhi gostar ti. E não pude me obrigar a te ver diferente.

Eu me lembro das regras do jogo. Mas ainda sim  prefiro levar a vida sem regras. Ir caminhando pela estrada ainda que não tenha nenhuma mão pra segurar a minha.  Agora não está tudo bem, mais logo ficara.


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