E lá vai ela, toda cheia dela, indo espantar seus demônios rebolando até o chão. Copo na mão e coração já meio débil com tanta aflição. E ela rebola como se o mundo fosse acabar junto com a madrugada que já vê luz do seu fim. Rebola ao som alto das batidas como se as fossem penetrar em seu corpo e a fizesse entender quando e como tudo começou a se perder.
Após alguns paços meio cambaleados, enfim encontra seu reflexo ao espelho. E lá se vão os retoques. Batom, cabelo, -Shhh!, enxuga essas lagrimas, você consegue – rímel, e já está pronta para outra. A verdade é que ela consegue enganar a multidão que a vê dançar, mas o reflexo que ela encara ao espelho sabe que não anda nada bem. As doses cavalares de álcool só estão servindo para lhe corroer o fígado, e trazer uma puta ressaca que dura quase uma semana inteira.
No meio da pista ela é mais uma garota meio maluca, que tá chamando atenção de todos os caras que consequentemente a encara, e muito. Mas na fila do banheiro, ambas sabemos como ela se entrega nos braços das amigas. Além dela, só elas sabem o pesadelo que ela havia se enfiado. Pois ela só se permite escancarar sua trouxisse na frente delas, e de ninguém mais.
Seca esse suor caindo no canto da testa, faz um coque no cabelo, e manda mais uma dose whisky puro pra dentro. E lá se vai seu orgulho caindo junto com as gotas do seu suor. E lá se vai uma mensagem no whatsapp, e lá se vai outra na caixa postal. Ela grita, chora, implora, mais uma vez, mais uma chance. Deus, será que ninguém nunca foi trouxa assim na vida?
Então a boca amarga com o não, com o vomito, com tudo aquilo que ela se prestou passar. Nesse caso, plateia não é algo bom. E lá ela vai com seus pilares amigos a sustentando, evitando assim mais um tombo. Mais um grupinho a chamando de coitada passam por elas. Mais meia dúzia de garotas rindo do rímel borrocado, do salto quebrado, do choro exclamado. Mas pera, que garota nunca chorou de mais? Nunca amou demais? Sentiu demais? E foi trouxa demais? Quem nunca viveu demais?
O choque de realidade vem com o tempo. Até lá virão mais mil noitadas como essa, talvez menos, talvez mais. Mas a deixem em paz. Deixem a curtir cada segundo de fossa, cada centímetro da sua trouxisse cultivado dia após dia. Deixe ela sofrer do jeito dela. Porque sofrer em doses homeopáticas com filme francês e brigadeiro de panela é muito anos 90.
Ela vai ser trouxa, idiota, bêbada, e mais os tantos outros adjetivos que você quiser encaixar até ela descobrir que é muito mais do que isso. Então irá parar de mendigar amor a qualquer estranho, pois o amor que tem dentro si será o bastante.
Deixa que em um desses banheiros lotados, ela irá se esbarrar com o amor da sua vida refletido em um espelho qualquer.
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