Desculpa pelos surtos e sustos dados em lapsos de silencio não planejado. Sei que lhe fiz esperar mais do que devia, mas a verdade é que existe um medo enorme que insiste em me consumir, sempre quando percebo que as coisas estão prestes a tomar um rumo do qual eu desconheço.
Sou daquelas que não gosta de pisar em terras desconhecidas, prefiro analisar o terreno antes de me infiltrar.
Acontece que essa tática não me impede pisar em campos minados e, acredite, tenho ciência disso, mas prefiro fingir que do meu jeito as coisas estão sob controles. Só finjo mesmo, porque se estivessem, os escombros causados pelas bombas anteriores, não teriam ido na sua direção com tanta força.
Como você não desiste? Não sei se é por que gosta tantos de desafios, ou se pelos motivos que me deu jurando ser sinceros.
Por que então eu não acredito?
Reza a lenda que isso leva tempo. Levaria ainda mais pra tu gostar de alguém feito eu, pra entender esses anseios e receios repletos de conflitos que carrego amarrado no peito.
Vivo dentro de uma barricada com um coleção de explosivos ao meu lado e, mesmo assim você ainda insiste em avançar.
Te peço desculpas por isso, mas será necessário te ferir para evitar que chegue ainda mais perto, pra não te deixar notar que estou quase deixando meu escudo de lado.
Aguento fortemente, enfrento a linha e combate. Faço tudo pra não lhe encarar. Porem. Existe algo nas entrelinhas que eu não havia enxergado. Dizendo-me que não preciso fugir de tudo e, que vez em quando é saudável não lutar contra todos.
É que já fugi demais e, provavelmente seja por esse motivo que é um parto me convencer a ficar, nem que seja só um pouco mais. Talvez por achar que qualquer aproximação é um guerrilheiro inimigo pronto para contra atacar.
Já me machuquei tanto, que prefiro ficar em uma quarentena, mesmo que os 40 dias já tenham se excedido.
Lhe peço desculpas por isso também.
Acontece que sinto cada vez mais vontade de abrir meu paraquedas dentro de você. Consigo ver por dentro dos seus olhos algo divino que não sei ao bem como descrever. Algo parecido com liberdade, um decreto de paz, um bandeira branca estendida.
Cansei de lutar, meu amor. E quando tu vens, sinto que as feridas do meu peito vão se fechando gradativamente, como se teu abraço fosse capaz de sanar todas as minhas dores, me fazendo sentir que posso voltar a sentir.
Desculpe-me pelos lapsos de silencio não planejado. É que nunca sei como me portar diante a um milagre. Mas digo e repito baixando a guarda com cuidado, que mesmo tendo demorado e resistido tanto, acabaram minhas desculpas.

