Mesmo com tantos dias ao avesso, juros de cartão de crédito nos deixando na penumbra, aquela ulcera nervosa por conta dos mil e um problemas do trabalho, a vida de vez em quando nos presenteia com alguns dias em que conseguimos enxergar através de tudo isso.

Aquele dia em que simplesmente nos apaixonamos por ela, e, passamos os infinitos minutos dentro daquelas 24 horas – que a minha deficiência com números não me permite calcular –  simplesmente voando em conjunto com as borboletas que ainda a pouco dançavam dentro do estomago.

Feliz assim, não dá nem tempo de pensar em crise, em sentir ulcera, a quantidade de glúten que ingeri ao decorrer do dia, ou até mesmo quanto de juros irei pagar na próxima fatura.

Quando estamos apaixonados não há tempo para contratempos, e, até qualquer tropeço do destino nos faz achar graça.

Infelizmente a vida não é só feita de flores e cheiro de alfazema. Há dias em que a tristeza nos fala mais alto e, é impossível não querer mandar o Pharrel e o Happy dele ir para junto de quem os pariu.

Metemos os pés pelas mãos, comemos uma dúzia de chocolate e, ainda pedimos bis – com dois sentidos mesmo, o chocolate, e o sentido de pedir mais uma vez, hahaha – e assim como o resultado desses benditos chocolates curadores de dores de cotovelo e afins no nosso corpo é muito difícil de sair, saudade também se apossa do seu corpo que só muita malhação da alma e da mente para ela sair.

Há dias que simplesmente não sabemos o que sentir. Se o dia virou noite, ou a noite virou dia. Não sabe se vai ou fica, se liga ou desliga, se pede ou implora, se chora ou nem da bola. Se continua acreditando nos planos que a vida está nos preparando, ou se grita por socorro. Mas que diabos essa louca acha que está fazendo?

Hoje, não sei o bem o que sentir, então prefiro não arriscar, melhor ficar quieta sorrindo para as paredes; não tenho tanto a quem compartilhar tais gestos. Apesar de ser muitos.

Como os programas mais leves em um final de semana, vejo filmes e seriados que a maioria dos meus amigos sequer ouviram falar, descrevo e escrevo sobre o mundo da minha maneira. E isso me faz tão bem. Descrevo com um emaranhado de palavras de um jeito torto que a pessoas amam, sempre colocando muito amor e, muita alma. E é isso que me mantem viva. Por mais romantizada que essa frase tenha ficado, é a felicidade dos outros que arquiteta a que imagino voltar a sentir um dia. Não que eu não seja uma pessoa feliz, eu sou e muito, mas eu ainda quero mais, falta um pouco de euforia nessa história. Sobra vazio, e, falta o novo de novo.

O fato é que sou apegada demais aos detalhes, tanto que tenho certeza que são poucos o que conseguem me compreender. Talvez seja só mais uma paranoia de uma virginiana bitolada.

Meu foco não é conquistar grandes fortunas, muito menos eternos que juram ser amores, só quero manter essa pequena chama aqui dentro que me faz acreditar em uma vida melhor, mas não somente a minha.  E que essa chama me leve ao mundo e, permita-me descobrir através dele.

Se eu estou amando alguém hoje, ou continuarei a amar amanhã, pouco isso me importa. Se vou fincar minhas raízes no interior do Brasil, ou em alguma selva de pedra, prefiro evitar tais comparações.

Se algum dia irei conquistar o coração de alguém, por-favor não me peça para escolher. Me dê apenas emoções. Só peço que não me tire a esperança do amanhã, porque tem dias que tudo o que a gente precisa é acreditar que a vida nos presenteará com dias como esse.


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