Eu não queria e nem podia desistir de nós, não quando se deposita todas as fichas em alguém, e depois fica sem para continuar a levar a vida.
Eu não queria desistir dos nossos planos, dos nossos sonhos, muito menos do futuro tão sublime do qual havíamos planejado.
Dói um pouquinho na alma ter que destruir a casa o litoral, e tudo aquilo que já havia visualizado e viabilizado para nós.
Talvez tu nem perceba ao ler tudo isso, mas eu não queria ser só o motivo do seu sorriso, eu queria incentivar ele a sair mais.
Queria ter te escolhido, ter ficado a cada vez que tive de ir, ter feito brigadeiro de panela todas as vezes que me pediu, ter dividido a minha cama todas as vezes que disse que queria ficar.
Você devia ter insistido mais, mesmo quando disse que não te queria mais.
Eu devia ter decido as escadas te gritando, passado uma borracha em todos os meus erros, ter feito você me ouvir, sei que acabaria voltando atrás em tudo que disse.
Eu devia ter pedido mais paciência ao lidar comigo, com nós. Deveria ter ido bater na sua porta, ao invés de bater cabeça tentando encontrar a razão de tudo isso.
Você devia ter me abraçado, ter encostado minha cabeça no seu peito, ter feito ficar tudo bem.
Eu Deveria ter assumido todas as vezes que sua falta ecoou no meu silencio e, ter te pedido para chegar mais perto.
Devia ter preparado aquele jantar, ter posto aquele vinho para gelar, e , ter te chamado para entrar.
Devia ter deixado aquele livro e aquela serie de lado, e, ter te chamado pra um cinema, mesmo sabendo que a ultima coisa que veríamos seria o filme.
Eu deveria ter te colocado no colo, como se fosse um menino frágil – que eu sei que você é-, deveria ouvir todas as suas teorias e histórias, mesmo eu sabendo elas de cor e salteado.
Rir das birras, e do beicinho que você faz involuntariamente quando é contrariado, mesmo que você me chamasse de trouxa ao me ver rindo de você, procurando motivos para brigar, eu deveria te beijar, até seu orgulho passar e, de uma vez por todas te fazer entender que eu só queria te fazer feliz, era só você deixar.
Deveria ter esquecido aquela discussão, porque ouvir você cantando Chico no banheiro eu eu na sala te respondendo com outra música também era sinônimo de amor.
Porque comer a sua comida altamente perigosa para quem tem hipertensão e, ainda assim me orgulhar pelo seu esforço também era sinônimo de amor.
Você devia ter desligado o mundo lá fora e correr para os meus braços quando eu propus que tu sumisses da minha vida, na verdade eu queria que você sumisse dentro dela.
Deveria ter lhe convidado para voltar para os meus braços – que sempre foi o teu lugar – quando disse que estava desistindo da gente.
Devia ter te amado de um jeito que você notasse que a única solução era nós dois juntos, e, não em uma bolha de solidão.
Eu não queria ter desistido tão fácil assim da gente, mas de repente, nossos passos foram mais à frente.
Te mandei tanto ir para fora, que você não quis mais voltar.
Te mandei tanto ir pro inferno, que deve ter se encontrado por lá.
Talvez a culpa também tenha sido sua, me expulsou tantas vezes da sua vida, que me acostumei com a ideia de que meu lugar não era dentro dela.
Eu não quis desistir da gente, mas daí tu resolveu não levar a gente pra frente.
Então, perdi o sono, o chão, só não o medo de te perder de mim, mas preferi não ferir meu orgulho.
O estômago embrulhou, a boca secou, suei, me despenquei mais uma vez. E quando te procurei, cê não era mais o mesmo.
Me culpei por tudo que deixei de fazer. Fiz de tudo pra te ter volta no meu colo, mas tu foi tomado pelo medo que antes me habitava, medo de me aceitar outra vez e eu acabar te decepcionando mais uma vez.
Meu esforço não foi o bastante para retomar o caminho ao teu lado.
Nossas estradas já não são mais a mesmas. E então meu chão sumiu mais uma vez.
Procurei um só motivo entre tantos que tivemos ao longo do caminho pra tentar explicar tudo. Pensei, pensei muito, até que o tempo passou, e, a distância entre nós só aumentou.
Você me provou que estava bem melhor sem mim.
Tentei fazer o mesmo. A gente foi tentando nos preencher com o vazio que nos causamos.
A saudade? Não sei onde a perdi.
Meu cabelo cresceu e, você ficou ainda mais encantador.
Mudei meus hábitos, meus trapos, até meus fatos já não são mais na mesma linha de antes.
Você foi se distraindo por aí, até se distrair de mim. Quando me dei conta, já não morava mais em ti.
Não queria terminar essa história cantando Trocando em Miúdos, você daí, e eu daqui.

