
Por mais que a gente tente saber o motivo de tudo e, tenta sempre desvendar o desenrolar das coisas, não dava pra saber o que eu iria sentir, muito menos o que eu iria fazer.
A única certeza que eu tinha é que as coisas estavam pra mudar.
Até porque, tudo munda conforme o tempo, nossos propósitos de vida, nosso modo de pensar, até mesmo nossa rota de fuga muda.
Quando somos mais jovens, um dos principais desejos é que tanto nós quanto as pessoas que nos rodeia não mude com o passar do tempo, mas a verdade é que estamos em constante mudança, e, isso é bom demais.
Não sei vocês, mas eu quando vejo algum texto, ou algumas conversas antigas, me dou conta de como eu era tonta.
Mas posso afirmar com convicção que ser assim foi necessário para que eu me transformasse na pessoa que sou hoje.
E acredite, hoje sou uma pessoa muito melhor , devo tudo isso aos murros em ponta de faca que já dei ao longo desse caminho, aos tropeços a cada esquina, as cabeçadas na parede, mas também as flores que colhi ao longo desse percurso.
E por mais que nosso tempo juntos foi curto, devo muito da minha mudança a ti e a tudo que rolou, e, também o que não rolou.
Confesso até que no calor do momento conseguia enxergar mais os contras que os prós, mas hoje em dia, as divergências me atraem muito mais.
Sou grata por isso.
Na época, a falta de experiência de vida não me permitia ver que separações não trazem somente dor.
Talvez seja porque no momento da dor, sentimos tudo, menos qualquer perspectiva de melhora.
Eu te estimava muito, mesmo não sendo a pessoa mais coerente e, correta que já conheci.
Mas quem sou eu pra julgar?
Então o freio de mão foi puxado, e cada um foi para o seu lado. E é assim a vida: nos adaptamos com qualquer situação que nos é imposta, preenchemos nossas lacunas com o que nos é conveniente, ás vezes com vícios, outros desenvolvem algum tipo de hobbies, outros preferem colocar alguém para fechar suas feridas.
No meu caso foi música, poesia, cinema, series.
E por falar em séries, vi Narcos, e lembrei de você.
Fiz um playlist no Spotify com as iniciais do seu nome com as músicas que gostaria de te mandar, mas achei melhor não fazer isso.
Se caso quiser ouvir, eu posso te mandar depois.
No dia que minha ficha caiu, e, finalmente eu percebi que a gente não tinha mais nada ver, me deu um nó na garganta tão grande, que foi difícil de desata-lo.
Mas depois, consegui me convencer de que tudo estava bem. Mesmo tendo que conviver com uma falta absurda da sua pele junto a minha.
Passou. Foi difícil para você também? Para mim demorou mais que o esperado.
Existe significados de mais, para tempo de menos, mas você sabe bem tudo que fomos um para o outro.
Eu que acreditava que certos relacionamentos duravam uma eternidade, ou pelo menos meia parte dela, o tempo veio me provar o contrário da pior forma.
Talvez se ainda estivéssemos juntos não teríamos tido tantas conquistas ao longo desse tempo.
E eu desejo com toda a sinceridade do mundo que a falta que fizemos um ao outro tenha se transformado em algo bonito, assim como para mim.
Também espero que tenha sentido por outras pessoas algo ainda mais intenso do que sentimos um pelo outro.
E que a caminhada sem a minha companhia tenha contribuído de alguma forma para tu se tornar alguém melhor também.
Porque a vida tem dessa né. Nos sentimos menos derrotados diante de tantas perdas, dai vamos entendendo aos poucos que o que vem dos outros é só um bônus.
O importante é como nos sentimos em relação a nós mesmos.
E ao contrário do que foi dito, não desejo a ti somente um ano de realizações, mas sim uma vida inteira.
Desejo que se torne uma pessoa mais completa. E que um dia ainda se lembre de nós com carinho.
Que ás mágoas cultivadas mesmo sem querer, não seja o motivo das suas ações, muito menos das minhas.
Que quando olharmos ao lado, que não venhamos a sentir falta um do outro, mas que possamos entender que nossas vidas tomaram rumos diferentes.
E quando olharmos para o lado e não nos encontrarmos, possamos compreender as razões que a vida teve para nos dividir, e, assim aceitar sem nos questionar.
