Pensei que depois daquela interminável estação, tudo iria finalmente voltar ao normal; que as arvores secas daquele jardim, ganharia vida novamente com as inúmeras tonalidades que só a nova estação poderia trazer. Cores que nos enchia os olhos em um tempo não tão distante.
Pensei que a nova estação teria o poder de me manter longe de todos os pensamentos que de alguma forma me levava ao presente confortável que um dia nos pertenceu, levando a vida dentro de vagões trilhando caminhos floridos, mas que com tempo foram murchando devido ao convívio.
Pensei que, após o silencio estrepitoso, ora interrompido pelo som ilusório de sua volta, então poderia ouvir a melodia de um bom e velho blues enviado pelos céus, que ouvíamos ainda quando ainda nos havia paz.
Pensei que, após provar o gosto de outros moços, cujos abraços eram uma cópia muito malfeita dos seus, finalmente poderia me livrar do seu gosto, cravados em minhas papilas gustativas.
Pensei que, o tempo fosse sanar essa ainda forte frugalidade que, pós inúmeras voltas dos ponteiros, ele se transmutasse em varinha de condão ou em pó de pirlimpimpim e te fizesse sumir da minha cachola, e enfim eu poderia me desgrudar da ideia hipotética de um futuro a sua inútil caça.
Pensei que bastaria trocá-lo por algo que, após inúmeros dias, inúmeras horas, e inúmeros verões e um café amargo após o outro, eu ainda conseguiria acabar com esse nó na garganta que não consegue engolir a sua falta.
Percebi que o que eu pensava estava errado, e que nosso passado não iria passar com novos passos, e as poças repletas de nós dois ainda estão em cada esquina por que passo. Mesmo com o tempo passando a todo vapor, ainda existe muito de ti em meu suor.
