nao tenha preguiçaCom o tempo fui adquirindo um pouco de preguiça das pessoas, principalmente das que eu iria precisar me apresentar. Lamentar e rezingar essa situação mais do que incomoda e acreditar  que não se tinha mais ninguém interessante para se conhecer era uma constante. As pessoas da minha geração são resumidas em uma superficialidade titânica, que os impede de querer se comprometer com alguém, até mesmo com o próprio reflexo ao espelho. Talvez meu exagero seja por conta do ascendente em escorpião que faz tudo ficar ainda mais intensificado, e me fez enxergar somente no Netflix a companhia mais fiel.

Acho que depois de passar por tantas frustrações e dissabores em relação ao amor, todo mundo passa a enxergar o pôr do sol com filtro sépia. Parece que o mundo nos tira um pouco a graça de viver nele, e com todos aqueles joguinhos de condição, e sedução escondido nas entrelinhas de um sorriso em algum encontro casual. Já havia perdido a paciência para o mesmo blábláblá de sempre, as cantadas machistas que nunca se extinguem, e os homens que apesar do tamanho, não passavam de meninos mimados de 13 anos.

A intenção era ficar na fossa até eu conseguir tirar algum aproveito dela, até eu perceber que a vida não é só isso. Acontece que toda a fobia de conhecer pessoas, e de me relacionar iria me render inúmeros arrependimentos. Nos dias de hoje, o tempo vem se tornando cada vez mais um artigo de luxo, e desperdiça-lo com desamor, em um cenário digno de filme de terror é quase um crime contra a si mesma.  E no fundo respirar um ar diferente do que circula na nossa casa, é uma prova de amor a si mesmo.

Cada ferida leva seu tempo para ser fechada. É necessário colocar na balança cada sentimento que vem sendo remoído antes de pensar em seguir em frente. Ainda assim, remoer tudo o que nos faz mal, só nos traz ainda mais caos. Ás vezes tudo que o nosso corpo precisa é de uma roupa limpa, e o vento batendo no nosso rosto no momento em que saímos de casa.

E assim fui a um happy-hour com os amigos mais próximos, para rir até a barriga doer. No outro fim de semana voltei a me permitir aos poucos, até me permitir me perder nos lábios de algum estranho na área de fumantes de uma balada. E tudo aquilo que se dizia em excesso pela balança de sentimentos, foi sendo eliminado aos poucos, sendo envenenado com um pouco de sal, limão e tequila. Até me dar conta que eu havia voltado a viver, me viver, e acima de tudo, me ver.

Aprendi da maneira mais dolorosa, que a vida não vai voltar a sorrir para ti, se você não se permitir olhar para dentro de si com um pouco mais de compaixão. Afinal, o amor só vem, quando encontramos eles dentro de nós primeiro.


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