
Por mais que não lhe possa parecer, eu ainda te amo.
Possivelmente após todas essas primaveras geladas, eu ainda amei o que você um dia foi pra mim. Tu vais me dizer que mudou, e que resta pouco do menino que um dia eu conheci, e eu irei concordar.
Mas mesmo com todas essas mudanças, o eixo que as sustenta é o mesmo. E isso me traz a confirmação que ainda amo a mesma pessoa de antes.
Concordo contigo, tudo isso são suposições de mais, mas uma das únicas certezas que tenho é que esse foi de longe o sentimento mais forte que já senti. E talvez ele tenha se instalado aqui só para me ensinar alguma lição.
Nem todo amor é para ficar, e acredite, aprendi isso do jeito mais doloroso.
Acabei de sonhar contigo, de novo. Só essa semana foi umas 8, contando com as vezes que meu corpo estava em órbita, e outra em perfeita lucidez, ou nem tanto né.
Devanear com o simples toque dos seus lábios nos meus faz meu coração acelerar mais que o normal. E se eu só posso lhe ter assim daqui por diante, acho que terei suas visitas no meio de meus sonhos por algum tempo.
Talvez você tenha sido o meu único grande amor. Sei que pode ser tarde demais para lhe dizer tudo isso, mas acontece que não aguento mais ficar me sufocando com palavras que devia ter sido dita há tanto tempo. Que seja, só não quero morrer engasgada com as tolices de amor.
Talvez um dos nossos grandes dilemas é dizer “eu sei” para tudo. Não, eu não sei de nada! Serei uma eterna discente, ainda precisarei ficar inúmeras vezes muda para tentar entender todas as lições que a vida me obriga a fazer.
Ainda irei refletir muito sobre os fatos e carregar comigo a certeza de que talvez só lá na frente irei compreender o porquê de tudo.
Ainda não posso negar que ainda te amo. Amo-te quando lhe encontro com o cabelo todo bagunçado, quando você se espreguiça, quando você abre aquele simples sorriso que faz meu mundo se iluminar com as curvas das suas covinhas, ou quando aparece de repente e me toca a cintura, nem que seja em sonho na maioria das vezes.
Ainda te amo no leve roçar da sua barba rala em meu rosto, no mundo que construímos dentro de um abraço demasiadamente apertado, mais demorado que o normal e mais rápido do que eu realmente gostaria.
Ainda lhe enxergo com aquele olhar de menina apaixonada, e cheio de admiração, olhar de quem consegue enxergar o real valor do outro, olhar de quem deseja sempre estar por perto.
Talvez esteja escrito na minha testa, difícil quem não perceba a minha mudança de comportamento a partir do momento em que vem para o meu lado. Você tem o poder de me fazer perder as estribeiras. Sério, como consegues?
Te amo, especialmente porque nunca tive tempo para amar outra pessoa, já que sempre estive ocupada demais te amando.
Eu tentei, eu juro que tentei.
De todos os meus erros, admito a infantilidade de alguns e a ansiedade de outros, mas todos tiveram suas urgências e particularidades, como o de querer fazer algo que lhe chamasse atenção e te trouxesse de volta pra mim. Sim, fui trouxa a esse ponto. E agora, perante todo esse papelão que me atrevi a prestar, mesmo depois de tudo que foi conversado, repito um erro do qual não tenho medo de cometê-lo. Vim aqui, só pra lhe dizer que eu permanecerei te amando por um bom tempo, mesmo que meu amor não fique dentro da minha vida.
