E lá vem mais um dia, levantar-se, se arrumar, ir trabalhar. 8 horas na frente do computador com uma pausa de uma hora para o almoço, e lá vamos nós de novo; ônibus lotado, trânsito parado, roupa para lavar, casa para cuidar, e o corpo clamando para se horizontalizar para no outro dia reprisar esse ciclo novamente. E assim se perpetuar em uma rotina sem graça, sem promessas, mas cheia de pressa. Se pergunta tanto mentalmente o que vem fazendo com a sua vida que já nem percebe que essa frase ecoa dentro de ti involuntariamente.

Fique tranquilo (a) meu caro (a), esse mal intimida a maioria das jovens de 18 a 30 anos. A incerteza constante sobre a própria vida é algo realmente assustador. A geração século XXI foi criada com a ideia que existe uma fórmula do sucesso que deve ser seguida à risca enraizada na cabeça. Fórmula essa que tem suas variáveis, muitas até, ao ponto de jogar um punhado de jovens em um mar gelado de insegurança. O minicidadão nasce, estuda, estuda mais um pouco, e mais um pouco, e se forma, o cidadão já grande trabalha, trabalha, trabalha, trabalha, aposenta e morre. Às pessoas levam essa fórmula muito ao pé da letra, como se isso fosse realmente o jeito certo de se viver, mas isso não é vida não, isso é apenas uma forma medíocre de existir

Nossos pais nos dizem para seguirmos nossos sonhos, pois só assim seremos felizes. Mas até mesmo nossos sonhos andam engessados de mais. Tente sonhar e enxergar um mundo além de um diploma, uma casa, uma família, uma colocação bacana no trabalho, uma viagem por ano nas férias, e como está seu status social na comunidade em que vive. O problema é que insatisfação faz parte de um ciclo vicioso, pois quanto mais longe você chega, mais você quer ir, mais coisas você quer ter. A felicidade conseguindo aquilo que tanto queria pode até vir, mas a inquietude da alma ainda está ali. Se sentir incompleto e triste sem saber de onde e porque isso vem é algo insociável.

A razão disso tudo é que somos induzidos o tempo todo a pensar do mesmo do mesmo modo que os outros, achar ao invés de ter certeza, a sugar informações prontas de tudo que é lado, ao invés de se aventurar a descobrir além, a concordar com tudo que os outros estão dizendo, sem dar a chance de se escutar.  E é daí que vem a consternação nossa de cada dia, desse encaixotamento de mentes que sofremos dia a dia. Seguimos a fórmula que nos disseram ser correta – a única – e todo dia 30 de cada mês a única certeza que temos é que as contas estão para chegar. É querer demais ansiar por algo maior do que ter as contas em dia?

A Organização Mundial da Saúde, em recente pesquisa, aponta que um dos principais males da nossa sociedade é a depressão, e outras doenças relacionadas a saúde mental, se tornando a maior causadora de perda de qualidade de vida na população mundial. Depressão não é falta de louça para lavar, o buraco e bem mais em baixo.

É louco pensar que jovens da mesma idade que você já pensou em tirar a própria vida né? Infelizmente isso não é algo fantasioso, cerca de 21% dos brasileiros entre 14 a 25 anos têm sintomas indicativos de depressão – sendo bem possível esse número ser ainda maior, já que a maioria não se assume nessas condições.

Afinal, é algo bastante constrangedor expor a própria infelicidade, mesmo tendo seguido ao pé da letra todos os paços da fórmula. Ou da forma como fomos induzidos a planejar nossas vidas através de um conjunto de expectativas que nos foi imposta. E quando você diz que não está feliz, e veem alguém lhe perguntar o porquê, inquirindo se tudo o que desejou já não estaria acontecendo. É quando você começa a se sentir como alguém que reclama de barriga cheia, e dá um jeito de engolir os problemas, e segue com uma vida que não devia ser a sua, ou você finalmente se questiona: “será que eu queria mesmo? ”.

Não existe segredo para ser feliz. Para ser feliz é preciso ter autonomia sobre nossa própria vida. Não é fácil, mas, talvez se questionar sobre as motivações que nos trouxeram até aqui, pode ser o início para um futuro com decisões mais nossas, mais acertadas de acordo com nossos reais desejos e necessidades. Às vezes a infelicidade de alguém está ligada ao fato de que a rotina de trabalho de oito horas por dia, cinco dias por semana simplesmente não é para ela. Existe outra forma de pagar as contas, existem outras formas de fazer qualquer coisa, nós só precisamos nos libertar dessa superstição social, pensar fora da caixa e procurar nossas próprias rotas para nossa felicidade.

Pode não ser fácil lidar com certos tabus, quebrar certos paradigmas, começar um sonho do zero e ir colocando tijolinho por tijolinho sem os pitacos de engenheiros da vida alheia. Mas construir a própria estrada no mesmo ritmo de nossos passos pode te ajudar a acordar às 6 da manhã com um leve sorriso no rosto. Não é nada fácil encarar nossos medos, e lutar contra eles, não é fácil seguir em frente, não é fácil começar um plano do zero, mas, mais difícil ainda é existir na mediocridade que nos é imposta, e sempre sonhando com algo a mais. Pare de apenas existir, e começa a viver.

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