O que aconteceu com a geração mais conectada e antenada, que vem esquecendo de exercer o trivial? Que vem compartilhando coisas a todo momento sem ao menos ler e refletir aquilo que está replicando, que defende com unhas e dentes uma causa sem ao menos a conhecer, e que vive idolatrando gente sem ter ao menos um porquê. O que houve com essa geração que vive em constante erro, simplesmente porque ler o manual é entediante demais.
Nós sabemos o que deve ser feito para mudar o mundo, ou pelo menos começar. Sabemos como fazemos para torna-lo mais sustentável, o nosso corpo mais saudável, e deixar as mulheres com maior notabilidade nesse mesmo mundo. Deixamos de fazer política na vida, e começamos a faze-la no Facebook, inundamos o feed de notícias alheio com imagens no espelho da academia, e esquecemos que alguns amigos passaram a tomar bala para aproveitar mais as festas. Criticamos quem é favor da legalização da maconha, mas nos entupimos de rivotril, cafeína, coca-cola, chocolate, cigarros e álcool.
Sabemos perfeitamente que as bicicletas podem salvar o planeta da poluição, mas preferimos reclamar do preço da gasolina, e das ciclo-faixas que foram feitas nas avenidas. Sabemos o que altos níveis de gordura trans faz com o nosso organismo, nem por isso deixamos de reclamar das filas dos drive-thrru da vida. Isso porque ir até uma conveniência ou padaria comprar um pão dá muito mais trabalho. Temos preguiça até de abrir o pão e passar manteiga.
Somos a geração que não conhece a própria letra, pois escrever no computador é mais fácil de apagar e corrigir. A geração que não tem medo de errar, pois a tecla backspace está menos de uma polegada de nossos dedos, e o sim para excluir é muito fácil de apertar. Opinião ficou tão fácil de ser dada, que nem paramos para refletir o peso que elas têm, já que é tão fácil posta-las.
Somos a geração do empreendedorismo, afinal temos a convicção de que ter uma empreendedoramente incrível é fácil, e todo mundo pode fazer tudo dar certo, basta um pouco de esforço. A geração que acredita tanto nas próprias ideias, mas não derrama uma gota de suor para realiza-las. A geração que acredita piamente na meritocracia, mas que não perde uma noite de sono para tirar suas ideias e projetos do papel.
Deixamos de ouvir a voz do outro, de sentir o outro, deixamos de conhecer o outro, deixamos de nos conhecer. Somos a geração que escreve textão de aniversário para o amigo, mas só escreveu por conta da notificação do Facebook.
Somos a geração mais feliz segundo nossas próprias contas no instagram, que na verdade são um reflexo da nossa insegurança de cada dia. Somos a geração que sabe de tudo, mas não tem certeza sobre nada.
A minha geração é cheia de ideias e ideais, e que deixará de herança para o mundo a receita perfeita com o passo a passo de como ele deve funcionar. E que só não a fez, porque foi no fast-food mais próximo, pois estava com preguiça de cozinhar.

