large (22)Não sei explicar direito, mas hoje me veio um vazio estranho aqui dentro, daqueles que ecoa, e faz o coração trepidar, e isso tá acabando comigo. Eu monto um discurso perfeito pra fingir que tô bem, que é apenas cansaço, e que a rotina trabalho e faculdade tá me desgastando, só isso. Mas a verdade que isso tudo é mentira minha, quem precisa de descanso é meu coração, e não meu corpo. Até decorei um discurso de autossuficiência pra defender meu isolamento aos outros, e quando tocam novamente no assunto relacionamentos, invento algumas desculpas sobre timing ou como estou bem sozinha. Mentira. Hoje cedo ao ouvir uma música, veio uma falta sua, quis até te chamar no WhatsApp.

Bateu saudade, saudade de ti, das suas covinhas, do seu jeito sério intelectual, mas que com um dedo de prosa se solta mais que o normal. Senti falta de quem eu era com você, menos dura, menos travada, menos fria, mais boba. Não consigo me sentir assim se não estiver contigo. Porque você foi a primeira pessoa que conseguiu mexer no meu cabelo, e acabei deixando você mexer aqui dentro também, confesso que não senti incomodo algum com isso, me senti bem até, até agora. Cada vez que ouvia sua voz, era como se o mundo se deligasse e existisse só eu e você, era como se nós dois fossemos o eixo. Tu me devoravas por inteira, e eu pedia pro tempo parar, antes que ele nos parasse. Queria poder deter as voltas constantes que o mundo dava durante aquele momento para poder te ter aqui pra sempre. Mas eu falhei.

Eu vivo questionando mundo e o tempo, se esse afastamento de nós dois é mesmo necessário. Realmente é necessário? Porque eu morro de medo que seja mesmo, e que esse tempo nos afaste por completo, e eu desabe de vez. Não consigo me imaginar sem a expectativa de você aqui de novo. Nem em casa eu me sinto mais, porque ela só se torna lar quando você tá comigo.

Desabafei com o meu travesseiro nas ultimas noites, contei pra ele que você foi a melhor pessoa que conheci até agora. Eu te introduzi na comédia romântica que é minha cabeça, transformando um momento bobo, em uma sessão cinema na minha casa, em uma cena com roteiro, síntese, antítese, e um enredo muito bem definido, finalizando a cena com um beijo desajeitado e um sorriso bobo.

Eu não lhe disse, mas ainda guardo a pulseirinha daquela festa na fábrica dentro do meu porta-joias, embora para mim ela seja a única joia ali dentro. Sempre faltou coragem pra jogar fora qualquer fragmento de nós dois. Não contei isso pra ninguém, mas eu nunca quis tanto o bem de alguém, na verdade eu nunca quis ninguém. Essa rotina que virou sua ausência vem me massacrado, por isso quando tiver certeza que estará livre, e se livrar um pouco das tuas novas obrigações, eu me dirijo até você, só pra te dizer o quanto ainda te quero bem e só pra te lembrar que tô aqui ainda, caso queira tentar de novo.

Eu nunca entendi esse medo que temos de nós dois, e por isso lhe peço desculpa se estraguei nosso começo. Pois no fim das contas, espero que isso seja sé o começo mesmo, e que essa história possa durar mais que isso.


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