Eu tinha a convicção de que você era o cara certo para mim. Que tola eu fui.

Ninguém nunca é a pessoa certa de alguém, somos apena um guia para um caminho menos doloroso e, mais cheio de cor.

Eu pressentia a sua não estada, também pressentia que eu pularia do barco, e, isso seria apenas uma questão de tempo.

Maldito sexto sentido feminino que nunca falha.

Mas ainda assim eu insisti, e, resisti a cada passo em falso que a gente dava.

É uma baita prova de amor insistir nas pessoas que amamos, mesmo sabendo que não há mais futuro ali. Pode até ser uma atitude inepta, mas quem liga para isso?

Naquela altura do campeonato, eu só ligava para ter alguma mensagem sua no WhatsAppp, um convite pra ir ao cinema, jogar boliche, ou uma simples sugestão de música, assim como você fazia no começo.

Eu ficava analisando seus gestos, tentando descobrir até quando iria me querer por perto. Mas acontece que por mais que eu sabia que não havia futuro para nós, eu aceitava tudo que envolvesse nós dois juntos.

Topei fazer maratona daquela série que eu odeio só porque você a ama, topei sair com seus amigos infantis, topei te acompanhar naquela palestra sobre direto penal.

Topei ir contrária as minhas vontades para satisfazer as suas, só para que você não fosse embora tão cedo.  Sei que não foi fácil aturar alguns dos meus amigos e gosto musical deles peculiar de mais, confesso que nem mesmo eu aguento.

Não foi fácil também aturar meu temperamento difícil, eu sei que foi quase impossível.

O problema é que permanecemos em temperatura ambiente por tempo demais. Permanecemos por saber que qualquer oscilação no termômetro nos faria ir embora.

Eu morria de medo disso acontecer.

Morria medo de que encontrasse alguém com loucuras mais divertidas que as minhas. Meu medo era tanto que eu e, meus nós na garganta não permitiam que ficasse bem perto de ti.

Você também nunca fez nenhum tipo de esforço para me puxar pela cintura e, me trazer pra perto de ti. Foi assim que o nosso medo de ser substituído tomou o espaço que abrigava nosso amor.

Eu e a ilusão de que você era o cara certo para mim. Que bobeira, eu sei.

A gente nunca é a pessoa certa de alguém, somos um guia para um caminho menos doloroso e, mais cheio de cores e flores.

E foi no caminho de casa, voltando de um aniversário  de namoro sem flores que decidi te pedir pra parar o carro, pois havia chegado o ponto em que eu deveria começar a trilhar esse caminho sozinha.

Ou isso ou viver com medo. Ou isso ou viver sendo atormentada pelo medo de te perder. Era isso ou fingir que o morno era minha temperatura preferida.

Nós sabíamos que não permaneceríamos muito tempo na vida um do outro. Sabíamos que era questão de tempo até nos encontrarmos com nosso fim.

Ainda assim, insistimos.


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