Mesmo que cada átomo do meu corpo me lembre do contrário, eu não devo, nem posso te querer.
Não vou, pois, nosso tempo já passou. Porque, você não é mais o porto que me faz sentir segura. E olha, não foi nada fácil aceitar isso. Talvez eu ainda não tenha aceitado, mas, se acaso eu martelar isso várias vezes na minha mente, pode ser que essa ideia finalmente se prenda em mim.
Assim como você se prendeu um dia.
E por mais que você tente me empurrar para longe, seus olhos me puxam para perto.
E cada sorriso seu, que insistem em marejar meus olhos. A cada brincadeira sem nexo, eu entendo que é sobre sexo. E a cada desejo seu, eu atendo.
E mesmo você me dizendo para ir embora, nas entrelinhas, me puxa pra perto de ti. E quando diz que se cansou, minhas mãos percorrem pelo seu corpo de maneira quase indecente, desesperada por mais de ti, mais uma parte, que pelo menos por algum instante é minha.
E mesmo sem querer, talvez seja por querer, você me deixa aqui, como eu bem entender.
Eu teimo. Desvio, escapo. Finjo não ser comigo. Ou pelo menos tento.
Não vi nada, não ouvi nada. Não senti nada. Não sinto nada. Não sei de nada. Não é nada. Não quero nada.
Quero. É claro que eu quero. É claro que eu sinto. É claro que eu sei. É claro que eu ouvi. É claro que eu vi. É claro que eu senti tudo. Senti tanto…
E mesmo que cada átomo do meu corpo clame por você.
Não vou. Não posso.
Não preciso ir.
Eu sou tudo o que você quiser que eu seja.
Menos sua.

