Após um longo tempo aprisionada em relacionamentos que não andavam para frente, finalmente consegui dar paz pro meu coração, e, me fazer sentir bem comigo mesma.

Mas como nada são flores, a preguiça de me dispor e me despir tem tomado conta de mim, impedindo qualquer chance de começar a traçar novos planos, por medo de ocorrer novos danos.

Me dá preguiça só de pensar em ter que enviar uma mensagem, cheia de dizeres ocultos e, ficar com o celular na mão, esperando uma resposta que sempre demora para chegar, ou que muitas vezes nem chega.

Preguiça de me dispor a achar o look perfeito, para um possível encontro, que pode nem ser perfeito. Preguiça de ter que me expor, sem saber se isso será reciproco, e, após mais algumas mensagens no WhatsApp, ter que lidar com o sumiço dele. Já não espero mais resposta de ninguém, ando com pavor de responder alguém que não seja do meu ciclo de amigos.

Dizem que ninguém consegue ficar sozinho por muito tempo e, que ter alguém para amenizar a dor dos tombos que levamos ao longo da vida é essencial, e, eu concordo com isso. Mas por hora, estou ótima cuidando das minhas feridas sem a ajuda de ninguém.

Ficar sozinha não é um fim apocalítico, caso você esteja disposta a descobrir mais de si mesmo, pra manter o seu mundo melhor e sua vida bem mais interessante.

Eu não preciso de alguém que me faça rir, e que esteja disposto a me dar cafuné todos os dias antes de dormir, que me traga café na cama e me apresente bandas das quais eu nunca ouvi. Mas dizem que tudo tem sua hora e, uma hora chega a sua e a minha vez. E, finalmente o cupido acerta a flecha, e em algum um momento, o amor irá esbarrar na gente.

Mas….. Enquanto esse dia não chega, eu não tenho pra onde correr.

Não sei se fiquei desinteressante ou desinteressada, se me tornei alguém ainda mais exigente, ou se a maturidade finalmente deu as caras. Mas, nessa nova era de apps de pegação e azaração, a falta de interesse somada a falta de tempo, tem nos transformado em pessoas totalmente interessadas pela indiferença.

A verdade é que cheguei num momento que cansei de estar sempre disponível para as pessoas que andam cada vez mais indispostas, cansei de cogitar a ideia de tentar sair da minha atual zona de conforto, já que o interesse costuma acabar antes disso.

Cheguei no momento em que só faço as coisas pra mim e, por mim –  talvez, você também tenha chegado – e isso não é ruim se você sente se bem consigo mesma, e, tranquila pra fazer o que quiser, quando quiser, onde quiser e como quiser.

Inevitavelmente chegamos a um momento em que as pessoas vem e vão. Nada nos contagia, dando a impressão de nada ser bom o suficiente pra ficar, nem que seja por alguns meses. Ninguém parece capaz de nos devolver aquele brilho no olhar que um dia já morou nesses olhos castanhos, ninguém é bacana o suficiente para nos puxar do precipício.

Estamos sujeitos a passar por cada coisa, desde ter que pegar uma tonelada de pedras ao longo do caminho, a colecionar inúmeras decepções e tapas na cara, e, quando a gente amadurece, acabamos exigindo mais do outro sem saber se o outro já colecionou as mesmas quantidades de pedras e tapas que a gente.

Então não é que nosso coração esteja precisando da ajuda de aparelhos para continuar batendo. É que não encontramos alguém que tenha carregado uma carga com peso equivalente ao nosso.


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