Mais uma noite a minha companhia. Apago as luzes, fecho a porta e vou até a cozinha tomar um copo d’água para ver se engulo a ideia de que você não virá. Nem hoje, nem amanhã, nem depois, talvez nunca.

Passo o cadeado no portão, coloco o telefone no silencioso, até porque ele não tocará com você me pedindo pra abrir o portão.

Tento inutilmente me manter forte mais uma vez. E consigo, até colocar a cabeça no travesseiro, e, fazer dele um pedaço de espuma ensopado de água salgada.

Já faz alguns dias que decidiu retirar suas peças desse quebra-cabeça que nos transformamos. E agora, fico eu aqui, lutando para tentar preencher esses espaços.

Meu corpo e minha mente se estremece a cada vez que me recordo de você.  Respiro fundo na tentativa de me acalmar, e, tudo que sinto é um vazio insuportável, em casa, no coração e na alma.

E assim venho tentando espantar meus fantasmas internos, pra quem sabe conseguir espantar o fantasma que você acabou se tornando na minha vida. Fotos suas pela casa, lembranças de nós dois impregnada a cada cômodo, marcas no peito que nunca mais irão sair.

Mas já não posso continuar a sua espera, faz frio e você não virá pra esquentar me esquentar enquanto adormeço no sofá, com a sua voz mansa logo em seguida me convencendo que a cama estará muito mais divertido.  Não posso, pois, dói demais toda vez que insisto em continuar cultivando sua indiferença. Não importa o tamanho da saudade que eu tenho de nós, ou quantas vezes pedi a Deus pra me ajudar a fazer nós dois voltar a dar certo.

Preciso aprender a conviver com os fantasmas que ainda me habita, ou não deixarei mais nenhum corpo se aproximar de mim novamente.

 


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