
Não pense que está sendo fácil confessar isso.
Mas acontece que eu ainda penso no teu beijo com uma certa frequência, já que era dentro dele que eu costumava esquecer o mundo lá fora.
Também penso no teu cheiro de vinho amadeirado, nos seus braços, já que eram neles que eu me jogava pra esquecer os meus problemas. Tu fazias-me sentir mais leve, entende?
Eu ainda penso em nós. E só não te liguei ainda para lhe dizer isso, pois sei que tu não vais acreditar, vais dizer que estou tentando lhe confundir mais uma vez.
Não lhe culpo por isso, confesso que me confundi muito ao longo do caminho e, não me contentei em sentir isso sozinha, não foi legal da minha, eu sei.
Mas após alguns copos de cerveja, e um sorriso e outro em mesa de bar com os amigos, meus pensamentos acabam escorregando em ti.
E nesse ambiente escorregadio em que se encontra meus pensamentos, a dor vem como consequência, pois você já não está aqui.
Tu podes até não acreditar, e eu até entendo porque. Já usei tanto a mentira para me sobressair, que quando tentei te olhar nos olhos com a verdade nos lábios, tu já não acreditavas nem nos meus gritos de socorro.
Mas eu continuo a pensar na gente. Penso em ti com um carinho imenso, e ainda insisto em inserir você em minhas preces antes de dormir. Penso nas vezes que bati na sua porta lhe pedindo desculpa por todas as bobagens que eu havia dito, e, quando calcei minha cara para lhe pedir para ficar, pois você já havia se enchido daquilo tudo.
Eu ainda tô cheia.
Cheia de lembranças nossas cravadas no meu peito, cheia de palavras que não foram ditas martelando na minha mente. Cheia de saudade.
Pode ser que tu penses em nós também, pois não há como passar uma borracha em tudo que vivemos. Não tem como colocar as lembranças para debaixo do tapete como se fosse poeira, depois de tudo que passamos não tem como simplesmente jogar as lembranças fora, como uma mobília que já não lhe serve mais.
Tu não fazes ideia de como é difícil dizer que não penso mais em nós, ainda mais te olhar nos olhos, e, ter que encarar o motivo da minha dor, olho no olho. E pensar que um dia seus olhos fora a cura pra todas as minhas dores.
Penso em nós pois não há como não pensar.
Penso no sorriso que um dia fora meu abrigo, no abraço que fora meu afago, na tua cama que era nosso ninho. Você foi o cara que um dia eu tentei desenhar, o cara por qual eu me desesperava quando pegava a estrada de volta pra casa, ou quando se adoecia.
Você já foi o cara que um dia eu fiz chorar, mesmo sendo essa a minha última intenção. O cara qual eu decepcionei, e, não merecia, que eu perdi, mas que não deveria ter perdido.
Eu sei que me deu inúmeras chances, eu sei.
Uma coisa que aprendemos quando perdemos alguém, é enxergar o tamanho do espaço que esse alguém ocupou na vida da gente, e agora o espaço que ficou para ser preenchido é grande demais.
Você foi o cara por qual eu não me importava em dividi-lo com o futebol, até gostava de ir ao estádio junto contigo para mais uma partida do Bota. Você foi cara que questionava meus erros, que fazia festa a cada nova conquista minha, e, sempre aceitava os meus defeitos. Foi o cara que me apresentou aos melhores lugares, dos quais eu vou até hoje – mesmo sabendo que corro o risco de te encontrar.
Tu foste o cara que me pediu inúmeras vezes para parar quando eu insistia em te machucar, se não seria brigado a bater à porta, mas o meu jeito cabeça dura nunca me deixou acreditar que seria capaz de ir embora de verdade. E então você foi.
Eu ainda penso em nós. Porque simplesmente não há como não pensar, se um dos meus perfumes prediletos foi você quem deu. Procuro evitar usá-lo para evitar lembrar da mistura dos nossos cheiros, mas é impossível não pensar, já que meu cantor preferido da vida toda também é o seu. E ouvi-lo cantar Futuros amantes, me faz ter esperança que um dia vais voltar a ser meu.
A cada toque do meu celular, me vem a esperança de ver seu nome na tela, e toda vez que lhe vejo online fico desejando que, ao abrir a janela, você esteja digitando alguma coisa.
E mesmo que eu tenha aprendido a lidar com o nosso fim e, viver sem a sua companhia não é bem o fim do mundo. Mas meu coração que é o culpado em continuar me lembrando de tudo que fomos, e o que deixamos de ser.
Mas, confesso, que se por acaso ele ousasse em esquecer tudo que você representou pra mim, eu teria mais um motivo para me decepcionar comigo mesma.

