
No começo a gente chega a pensar que a vida vai parar, já que os ponteiros do relógio insistem em não colaborar. Tudo passa demasiadamente devagar, até a gente começar a procurar mil e uma desculpas para não ter de passar, também.
Fugimos dos compromissos e dos amigos, achando que a fuga é a única tática de melhora. A gente vai tentando de tudo para fugir da dor, mas no fundo sabemos que uma hora ou outra vamos acabar trombando de frente com ela. Só adiamos o inevitável.
O peso da palavra recomeço parece ser impossível de carregar. Como que a gente simplesmente ignora tudo e segue em frente?Como passar naquela rua novamente, sem ser bombardeada de lembranças fora de hora?Como faz para simplesmente apertar avançar e, finalmente sair dessa fase, nos levando para uma que o jogo é mais fácil e, a paisagem é melhor. E nessa, a gente vai se questionando inúmeras vezes a todo momento. Até que a gente se acostuma com a ausência, e, aprende a viver sem.
A gente aprende a seguir em frente. A gente aprende a passar por aquela rua, sem olhar diretamente para aquele lugar, sem nos machucarmos com nossos próprios pensamentos. A gente entende, que passar por essa fase é necessário, para que possamos desfrutar melhor as paisagens bonitas que ainda estão por vir. E quando ela passar, aos poucos todas as lembranças se tornarão respostas para todos aqueles velhos questionamentos.
É preciso saber aceitar as provas que a vida nos dá. E não se importar se caso em uma delas a nota for menor que a média. Assim como na escola, não é uma prova, que prova sua capacidade de aprendizado e seu conhecimento sobre a vida.
Se existe alguém que sempre tirou dez nas provas da vida, esse alguém não viveu direito.
A gente aprende a conviver com a ausência de certas coisas e pessoas, só não podemos aprender a conviver com a ausência de nós mesmos.
Um momento ruim deve ser apenas um momento. E embora a vida nos impõe essa quantidade absurda de provas, não devemos esquecer de quem somos além disso, do que queremos, e onde queremos chegar.
Não devemos deixar escapar a essência que nos trouxe até aqui. Pois podemos viver sem aquela mensagem no final do dia, aquele beijo no final do filme, aquela foda no final da noite, só não conseguimos viver sem a companhia de nós mesmos.
Então, calma, respira. E fica bem.
Mas Isa, é difícil pra caralho.
Eu sei cara pálida, também já passei por isso.
Tenta passar de fase sem falar das outras que foram tão boas, sem lembrar daquele passo que te fez perder uma vida nesse jogo.
Você não deixou de chupar chupeta, de mamar na mamadeira, ou andar de bicicleta com rodinhas? Então, pra tudo isso acontecer, bastou o primeiro passo, até aprendermos a viver sem.
Nada é necessário na nossa vida, tudo é temporário.
