Às vezes a vida é dura demais para nós, principalmente quando se trata de amor.
A gente vive se apaixonando, se entregando, oferecendo o que há de melhor e mais verdadeiro em nós.
Mas, conforme o tempo vai passando, percebemos que nem sempre essas entregas deviam ser feitas. A gente sempre descobre da pior forma, que simplesmente não é para ser.
Ai a gente quebra cara, quebra as pernas, os braços, a cara de novo, para ter certeza do erro.
Por mais que a queda seja terrível, sempre vem para nos ensinar que não se deve trafegar na ponta dos pés no meio do abismo.
O foda, é que a cada tombo, tendemos a endurecer um pouco mais. Tornando assim, a tal reciprocidade, algo extinto no nosso vocabulário e dia a dia.
Quando chega a hora da vida seguir seu percurso, finalmente descansar em uma relação de verdade, o coração simplesmente trava, não sabe prosseguir, como reagir.
A gente larga o jogo no canto da sala e sai de mão dada com o rei ou a rainha desse tabuleiro. Sempre buscando uma tática, que mostre nossa superioridade e perspicácia. Aquela velha mania de pular etapas, de nos boicotar, adiando nosso próprio aprendizado.
Acredite, há vida fora desse casulo em que insistimos em nos trancafiar, quando as coisas apertam. A vida do lado de fora do casulo, é ditada por um silogismo silencioso que vive ditando nossas interações sociais.
– Você precisa ser difícil, desconfiado e sempre manter os dois pés atrás, se for possível o corpo todo. – Responder mensagem no WhatsApp, só se a outra pessoa tiver lhe concedido uma atenção considerável antes.
O mimimi é tão grande, que se não amadurecermos a bagagem pesada que insistimos em carregar e, liberarmos um pouco do peso que não serve para nada, além de dar dor nas costas, ou alguns nós na garganta, nos perderemos por puro medo de perder, de se doar e depois doer.
Para estar em uma relação – e eu não digo só amorosa não – é necessário deixar as máscaras de lado. Uma relação não pode ser nutrida por um copo meio cheio, ou ele está cheio ou não está. Não tenha medo de se doar.
Quer ligar, liga. Quer chorar, chora. Quer mandar mensagem de parabéns ás 3 h manhã, por que não conseguiu dormir a noite inteira com isso na cabeça? Mande!!! Seja humano! Com falhas e acertos, com vontades e desejos. Não deixe de viver com medo do que os outros vão pensar.
Tentar adivinhar se a pessoa ao seu lado será um babaca no futuro ou corresponderá às suas expectativas é tão inútil como tentar cortar a correnteza com a faca.
Tudo pode acontecer: ou você se joga e ou deixa outra pessoa jogar.
No “jogo” da vida, é preciso se entregar e se doar. Do contrário, vai viver com um amargo de quem não se entregou de verdade a algo que poderia ser bom.
Sim, é preciso errar para aprender. Mas é preciso saber filtrar as coisas também.
Se o doce é bom, então se lambuza. Mostre que se importa, diga que gosta sim, sentiu vontade, vai atrás, liga, manda mensagem sem medo de estar metendo os pés pelas mãos.
Deixe as máscaras de lado, feche o tabuleiro, se possível deixe o ego debaixo do travesseiro, o orgulho só leva se for o de finalmente deixar a vida te levar.
Vergonha não é ter um coração partido, vergonha devemos ter de se esconder dentro do casulo, fingindo não ter sentimentos para evitar mais feridas. Não vamos ser uma geração de covardes, por favor.
Amar e se entregar de corpo e alma é algo tão profundo e raro atualmente, que chega a ser digno de respeito.
Que sejamos mais livres de nós mesmos, livres de medos, deixando nosso coração bater livremente por quem ele quiser. Entendendo que a dor, faz parte do nosso amadurecimento. Não adianta a gente evitar, mais ou mais tarde ela vai chegar.
Se doe sem medo. Divida as coisas mais lindas que a sua alma carrega dentro de ti. Deixe as borboletas transitarem pelo seu estomago. Não corte a brisa. Deixa o amor florir dentro de você.

