
Abro nossa conversa no WhatsApp após algumas horas sem sua resposta.
– Cada dia que passa gosto mais de você….
Mais uma vez.
Todas as vezes que você se permite me conhecer um pouco mais, acaba soltando essa frase às avessas. Como se não medisse o peso dessas palavras antes de enviá-la.
Já me acostumei com esse jogo de Hot and Cold. Que hora fica quente, e hora fica frio.
Te respondo após alguns minutos pensando em uma resposta adequada, então o assunto morre, e você volta a dar as caras dois dias depois.
Não era para ser assim, mas já me acostumei com isso. Meu coração nem se permite mais acelerar por conta do seu nome na minha tela.
Mas acontece que você me enxerga de uma forma muito morna, e, eu te vejo cada vez mais distante, não, não falo apenas da nossa distância física.
Tento encontrar um dia propício para estreitarmos os laços que já temos, mas sempre se diz ocupado demais. Porém, sempre me deixa de molho, para se eventualmente tu sentir vontade de algo, tem meu nome na lista de contatos quando ninguém mais estiver disponível.
Mas aprendi durante todo esse tempo, que a melhor coisa a se fazer, é tirar meu time de campo, mesmo o jogo ainda estando 0 a 0. Afinal, a gente sente quando o outro não tem o menor interesse na gente, sente quando eles só nos usam como uma ponte despretensiosa para chamar assunto quando está solitário.
Com sorte, entramos em quinto ou décimo na lista dos contatinhos que seriam chamados para um sexo casual em um sábado à noite. Apesar dos bons papos, de todos os interesses em comum, apesar do carinho dele ter pedido pra dormir de conchinha naquela madrugada de natal, apesar de um monte de coisas, ele não me quer, acho até que nunca quis.
Mas por que tocar nesse assunto, já que aprendi a hora que devo abandonar o jogo, e declarar a derrota? É porque, curiosamente, passei a não me incomodar mais. Reduzi minhas expectativas praticamente a zero, controlo minha respiração e meus batimentos cardíacos a cada nova publicação, para caso eu venha surtar.
Aprendi a me manter morna, quase fria, assim como você.
Cheguei ao ponto de não ver muita graça em sair à noite, afinal, o que isso pode me render é uma dor de cabeça na madrugada e o gasto de um dinheiro que não posso gastar. Porém, sempre tento me dar a chance de conhecer gente nova, só não sei até quando.
Talvez, até se esgotar essa vontade de fazer algo durar. Porque se ele não me responde no mesmo dia, eu desisto.
Se ele não tem a mínima vontade de contar como foi o dia dele, não sou eu quem irá perguntar. Se ele não aparecer, faço questão de sumir. E tá tudo ok com isso, eu sigo aqui, dura e fria e com menos paciência e energia para os próximos caras que vier.
Qualquer um que se aproxima, já imagino que será mais um desses que não me quer. Se ele não me quer. E eu também não faço mais questão de querê-lo.
Vou me virando como posso, guardando dinheiro para uma viagem apenas com a minha própria companhia, fingindo que minha agenda tá cheia para evitar o desgaste, me tornando uma dessas pessoas que também não quer nada com nada, apenas comigo.
