O cursor no word já cansou de piscar para mim, esperando que eu escreva algo para ti, que realmente faça sentido. Invento de abrir o Spotify e, colocar um dos meus Daily Mix para tocar. Mas todas as músicas têm um pouco de nós dois, um pouco de ti. Já abri o Letras terra para te enviar umas três músicas do Bom Iver. Mas eu deixo para lá. Assim como você nos deixou em um quanto qualquer da sua vida. Deixar para lá algo que quero muito dizer, nunca foi uma opção para mim, mas agora passou a ser a única.
É algo tão natural para mim, lembrar do seu sorriso, ou da forma que nós dois sorriamos juntos. Basta um cheiro de lavanda, um rifle de guitarra, ou ver um filme do Tarantino passando na TV. Não me martirizo por lembrar de nós dois. Não sou o tipo de pessoa que apaga todas as fotos juntas nas redes sociais depois de um término de um relacionamento. Fazer isso, para mim, é como se esse alguém não existisse. Para quem eu estaria mentindo?
Vira e mexe, me pego voltando meu feed do instagram, resgatando alguma de nossas memorias, viagens, ou quando você finalmente conseguiu fazer um bolo de cenoura para mim. Me dói pensar que tudo isso acabou. Me dói ainda mais tentar entender os porquês e não os encontrar para responder minhas perguntas.
Talvez seja melhor não ter porquê. Já que ambos sabíamos que tínhamos uma bomba relógio junto a nós. Simplesmente fomos algo que éramos para ser, e, deixar de ser, tão repentinamente quanto.
No começo, senti raiva de nós, raiva por eu não ter mais a quem contar como foi meu dia, por mais chato e entediante que ele tenha sido. Raiva de mim e do costume de ter você por perto. Costume esse que me fez começar a marcar seu nome em um comentário sobre o filme da Marvel, ou abrir o WhatsApp para contar que aquela peça de teatro finalmente veio para a cidade.
Senti raiva de mim, por achar que fui uma boba, que caiu num papinho barato e, se apaixonou pelo primeiro cara com pinta de galã que apareceu na minha frente. Raiva por achar que tudo isso foi de caso pensado, que fazia parte de um plano, ou qualquer outra coisa maquiavélica possível. Mas, com muito custo consegui me livrar desse sentimento ruim e, voltar a lembrar apenas das coisas boas.
Vira e mexe, encontrar na internet textos como esse, e, a primeira coisa que me vem a cabeça, é tirar um print da tela do celular e te enviar. As vezes eu simplesmente esqueço que não fazemos maus parte da realidade do outro, e, me bate uma saudade que chega a apertar o peito de vontade de pegar o celular e buscar seu número. Mas, como sempre, eu guardo a saudade e a vontade no bolso e, volta para minha nova realidade.

