Pior do que o golpe do conto do vigário, do bilhete premiado e tantos outros, é acreditar que a vida a adulta será repleta de realizações,nadando em um mar de rosas.

Me lembro de quando tinha 16, e estava começando trabalhar para pagar meu curso de inglês, ganhava menos que R$ 300,00 por mês, e rezava para que um dia eu acordasse já na casa dos 20 e poucos, como no filme “De repente Trinta”. Quando somos mais novos, idealizamos a vida adulta de uma forma muito romantizada, como se os adultos fossem seres inalcançáveis, com todos os problemas resolvidos, frequentando restaurantes descolados, viajando o mundo inteiro, com uma carreira bem-sucedida, relacionamentos estáveis.

Mas os filmes e os livros em sua grande maioria não nos dizem, é que grande parte disso é uma falácia enorme. Cheguei aos 24, recém-formada na faculdade, desempregada, sem nenhum resquício de uma vida amorosa descente, sem nenhuma certeza sobre a profissão que escolhi na adolescência, e com muito mais dúvidas sobre quem eu realmente sou e o que eu quero, do que quando eu tinha 16.

A verdade é que a vida adulta é muito mais do que poder entrar em uma casa noturna, ter carteira de motorista e poder votar. A gente aprende na marra o que é juros, taxa selic, declaração de imposto de renda, multas de todos os gêneros, e mais uma enxurrada de termos burocráticos que não fazemos ideia, até a água bater na bunda.

Toda essa pressão em nos tornarmos adultos bem sucedidos nos adoece, essa romantização da vida adulta nos torna adultos frustrados, com uma saúde mental cada vez mais debilitada.

Se você tem 16, e vive rezando para chegar aos 20 ou 26, para agora, e aproveita ao máximo esse agora que você tem. E não, não é papo de tiazona, queria ter ouvido os adultos que me disseram isso lá atrás.

E você, que está vivendo a mesma crise que eu, saiba que eu queria muito poder escrever uma frase motivadora, que foge do clichezão “Tudo se ajeita” ou “Aos poucos as coisas se acertam”. Mas a verdade, é que eu não tenho certeza de nada. Me agarro todo dia nesse clichê, principalmente quando as crises de identidade chegam junto com a ansiedade. A única certeza da vida adulta é boleto para pagar, louça para lavar e casa para limpar.

O que eu também sei, é que a gente precisa enfrentar isso, por mais exaustivo que seja. A vida adulta exige isso da gente. Eu queria poder correr pros braços da minha mãe, e despejar cada gota de lagrima que vem sendo estocada aqui dentro de mim. Eu até posso fazer isso, mas os meus problemas não irão desaparecer. O que esses poucos anos de adulta me ensinou, é que eu se eu não encarar meu problema frente a frente, dificilmente eu me verei livre dele.

A gente não pode fugir dos dias ruins, mas também não podemos deixar de cuidar de nós mesmos. Um café quente para aquecer a alma, e despertar nosso consciente pela manhã. Um livro com uma boa história para nossa alma e imaginação viajar alguns km. Uma musica para nossos ouvidos e corações ficarem mais calmos.

Não estou dizendo que esse ritual nos fará resolver todos os nossos problemas, mas com certeza, irão nos trazer mais clareza e força para matar nossos demônios.


Uma resposta a “O fantasioso conto da vida adulta”

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