Depois de tantas lagrimas escorridas pela minha face, tantos soluços causados pelo excesso de lagrimas, e infinitas palavras jogadas ao vendo para te praguejar, eu finalmente me dei conta que eu nunca te amei de verdade. Não você de carne e osso, e o sorriso mais lindo que eu já conheci. Não. Tudo isso foi apenas um atrativo para desenvolver uma paixão platônica e doentia que eu criei dentro da minha cabeça.
A gente começou tão bem. Tanta coisa em comum. O beijo encaixava, a conversa rolava, e quando a gente se encontrava, era como se o mundo todo parasse.
Mas hoje, reavaliando tudo o que a gente viveu, eu vejo o quão impalpável toda essa nossa “não” relação foi. Eu me apaixonei pela ideia de você.
Pela forma fofa que eu interpretava as suas mensagens, pelo jeito que você me olhava, que para mim era um olhar apaixonado, mas no fundo, era apenas a felicidade por eu ser mais um troféu para a sua estante de conquistas amorosas que você tem colecionado ao longo dos anos.
Eu me apaixonei pela ideia do cara que tem ideais tão parecidas com as minhas, que gosta de Chico Buarque tanto quanto eu, que lê Gabriel Garcia Marques no meio do churrasco da família, e dentro dos nossos diálogos, parece o cara mais gentil e legal de toda a face da terra.
Mas a verdade é que eu me concentrei só nisso, e acebei criando um conto de fadas em cima de alguém que você não é. Você não é o cara que me atendeu no meio da madrugada enquanto eu tinha um crise de pânico, e tudo o que eu mais queria era ter a sua voz para me acalmar, você não é o cara me levou para conhecer seus pais, muito menos os seus amigos.
Eu me apaixonei pelas viagens que a gente não fez, pelos beijos que se perderão no meio, e pelos defeitos que você não me deixou conhecer. Eu quase me apaixonei por você, mas quando eu te disse que estava indo embora, você nem me pediu para ficar, muito menos o motivo da minha partida. Foi aí que acabei me apaixonando por alguém que não exista pra poder continuar, porque o cara que eu inventei, teria perguntado o que estava acontecendo, teria me atendido no meio da madrugada, e notado que toda aquela indiferença estava me corroendo por dentro.
Eu criei um novo você. Um homem que se encaixava em todas as minhas expectativas. Que aceitava olhar para a minha cara amassada no dia seguinte, e não que preferia me foder em um beco escuro no meio da madrugada. Que compreendia o encanto de uma relação, e que relacionamento não é o sexo, é a companheirismo, é estar junto, é ficar em silencio e ao mesmo tempo dizer tudo.
Eu florei a pessoa que vivia destruindo as minhas expectativas, mas que continuava a me dar esperanças dia após dia, mesmo que nas entrelinhas. Eu me apaixonei por outra pessoa, por outra história, por outro relacionamento. Eu me apaixonei por coisas que nunca existiram de verdade, porque você não quis deixar existir. Eu me apaixonei por cada momento que você estragou, pelo futuro que a gente não planejou, pelo casamento que a gente não programou, pelas lembranças que a gente não vai ter.
Eu não me apaixonei por você, eu me apaixonei pela ideia que você representava para mim no início, e continuou alimentando até o fim. Eu me apaixonei por quem eu queria que você fosse para mim, mas nunca chegou a ser.

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