A gente tá sempre matando uma versão antiga nossa, para dar lugar para uma nova! 

Minha última publicação aqui foi em dezembro de 2019. Antes do mundo ficar ainda mais complicado e injusto do que já era.

Como eu imagino que tenha acontecido com você também, mesmo podendo contar nos dedos às vezes que saí de casa durante esses dois anos – parece que vivemos mas não vivemos -, eu passei por muita coisa e senti muita coisa. Pode não ser um viver ideal, mas é viver.

Durante esse tempo adotei o home office integralmente. E mesmo sendo uma merda às vezes, ao invés de eu ter que suportar olhar para alguém no meio de uma crise de ansiedade, e fingir que tá tudo bem, ou ir pro banheiro chorar, eu posso simplesmente posso deitar em posição fetal e chorar, ou abraçar meu gato. Olha que maravilha para pessoas introspectivas como eu!

Nesse período longo de quarentena, eu me apaixonei e desapaixonei algumas vezes. Talvez não tenha sido aquela paixaao, mas uma breve ilusão de um romance para deixar os dias um pouco mais leves, e depois fazer eu desentupir o canal da lágrima. Numa dessas ganhei até um sócio e melhor amigo em uma pessoa só.

Ganhei uma promoção no trabalho, assumi mais coisas do que deveria, afinal o salário não condizia. Mas quem nunca né? Trabalhei dois anos sem férias, e levei um pé na bunda da chefe, e um dia depois já estava contratada por outra agência.

Assisti e senti a dor e angústia da minha família ao ver meu tio internado com covid, e morrer vinte dias depois.

E dentre as coisas mais difíceis que presenciei na vida, ver a dor da minha avó deixar se ser algo no sentido figurado, e tomar conta de todo o corpo dela através de um câncer, que se manifestou após ela dar adeus pro filho mais querido que ela tinha, foi literalmente a pior.

Presenciando tudo isso, a única certeza que eu tenho no momento, é que eu quero estar perto das pessoas que eu amo, e demonstrar esse amor todos os dias. Por isso eu não pensei duas vezes ao largar meu emprego, meus gatos, meus pais, amigos e ir ficar do lado da minha vozinha enquanto ela se despedia do mundo.

Nós morávamos longe uma da outra, e não nos víamos com tanta frequência. Por isso me vi e senti na obrigação de passar o pouco tempo que restava do lado dela. Foram os dias mais felizes e, ao mesmo tempo, mais angustiantes que vivi. Pois, eu sabia que a cada dia poderia ser a última vez que eu faria algo para ela.

Antes dos meus 27 chegar, eu presenciei mais uma vez a minha família sofrendo e chorando pelo adeus de alguém.

Pensei que seria egoísmo da minha parte comemorar meu aniversário, dias após essa perda. Mas, não… egoísmo é a gente não celebrar o fato de estar vivo, enquanto tanta gente se foi querendo ficar.

Não, eu não aglomerei em nenhuma festa clandestina não! Fiquei do lado de algumas das pessoas que eu mais amo…Bebi, chorei, gargalhei como se não tivesse vivido nada daquilo ali em cima. Esqueci completamente as dores e angústias que tem me acompanhado nesses últimos tempos.

Alguns momentos eu paro, e fico pensando: qual é a nossa função aqui na terra? Somos reduzidos mesmo a ser uma peça do capitalismo, onde só somos úteis se produzimos algo que nos gere alguma moeda?

Trabalhar esse tempo todo sem um descanso de verdade, e depois parar para cuidar de alguém doente, me fez reavaliar coisas demais. Percebi que eu não fazia mais o que eu mais amo, porque eu já fazia isso para ganhar dinheiro… e não me dava mais prazer quando eu sentava para escrever algo fora do horário comercial.

Pois, bem! Aqui começa uma nova fase desse blog e perfil que já ficou ativo e inativo tantas vezes… com ele começa uma nova fase minha também, porque a gente tá sempre matando uma versão antiga nossa, para dar lugar para uma nova! 


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