Eles faziam tudo juntos, desde vasos de cerâmica, até culinária tailandesa para os amigos. As terças os dois faziam Yoga juntos, e as quintas dança de salão. Sexta-feira era lei, Happy-hour no bar daquela avenida movimentada no centro da cidade. Viajaram para china juntos para entender o socialismo chinês, foram para África em missão de paz, fizeram um tour de 15 dias pelo mediterrâneo, e voltaram com 5 kg a mais. Depois de três anos, já não havia cerimônias entre eles; dormiam na mesma cama, tomavam banho juntos, e ás vezes um usava a roupa do outro. Com o passar do tempo eles passaram a praticar outros tipos de esportes. Ginástica, e sexo tântrico. Compartilharam algumas lagrimas durante algum tempo. Os motivos? Às vezes nem mesmo eles sabiam. Também compartilharam uma tonelada de segredos, e uma porrada de sonhos. As inseguranças eram as mesmas, os medos também. Talvez seja por isso que nunca nenhum dos dois tenha dito eu te amo. Eles eram plural, casal, mel e sal, bem e mal. Menos para eles mesmos.
Talvez a palavra seja forte de mais pra ser dita por pessoas tão frágeis. Ou talvez eles só amassem a família, o trabalho, e os amigos. Mesmo estando metade da vida juntos, amor era algo precipitado de mais para os dois. Mesmo os dois querendo passar o resto da eternidade contemplando um ao outro, e brincando de encontrar defeitos, e floreá-los com todo … sentimento, seja lá qual for que elem sentiam.
O tempo passou, e ela começará a sentir falta de algo. Ela tinha o homem dos sonhos , o emprego dos sonhos, e um possível casamento dos sonhos a caminho. Mas ainda faltava algo para o sonho dela estar completo. Ela já havia vocalizado a ele o verbo que guardara por tanto tempo. Mas ele continuava a amar somente sua mãe, e seus enormes e caros livros constitucionais. Talvez seja pedir muito para alguém racional de mais. Ele falava aos quatro ventos que o que os dois tinham era muito mais que algumas conjugações verbais. Mal sabe ele o conforto que tal verbo bem vocalizado pode proporcionar.
O tempo passou, e ele não verbalizou o amor. Ela chorou no caminho de volta pra casa; ele tentando encontrar algum.
Quando ele finalmente conseguiu nomear aquilo que sentiu e viveu com ela, tarde demais, ela já havia encontrado alguém que soubesse nomear, verbalizar, e vocalizar seus sentimentos.
