Lembra quando nos conhecemos, na biblioteca municipal, em que eu estava de decote e com um livro do Saramago nas mãos, os cabelos preso, e os meus óculos grandes de armação dourada? Então, essa era a primeira parte da primeira fase do teste. Aquilo apenas uma alegoria para lhe distrair. Eu queria que você prestasse atenção e mim, somente em mim.
Então você se sentou do meu lado, e citou alguma frase do livro que eu estava nas mãos na tentativa de mostrar interesse. 5 minutos depois eu já sabia que você era o irmão mais novo de 3, que amava Caetano, Leminski e comer batata frita com sorvete. Confesso que te achei estranho pra caralho quando me falou isso, mas não faz mal, se passaram 5 anos e eu continuo achando estranho.
Trocamos telefone, e-mail, facebook, twitter, tumblr, e todas as outras redes sociais possíveis. Uma semana se passou e já havia mais 1500 sms no meu celular com o nome Edu da Biblioteca. O sábado finalmente chegou. Depois de uma semana arquitetando como seria nosso segundo primeiro encontro, eu achei que a melhor opção era te levar ao jardim botânico. Não sei, mas aquele verde, aquela paz, aquela paisagem é um bom lugar para se conhecer pessoas, principalmente quando elas são como você.
Foi ai que eu coloquei a 2 parte do meu plano em ação. Bicicleta, shorts jeans detonado, camiseta branca, rabo de cavalo, e o mínimo de maquiagem possível. Ao contrario dos outros caras que já conheci, você me dava segurança para me portar assim ao seu lado. Eu queria que você me notasse.
Dessa vez eu descobri que seus pais haviam acabado de se separar, e que andava meio desacreditado no amor. Mas eu ia fazer voltar a acreditar nele. Eu lhe contei que fazia cinema, gostava de Djavan a Oasis, que brigadeiro é meu doce predileto, e sou filha única.
A 3 parte do plano já estava sendo planejada, e você ainda não havia me beijado. Não sabia se achava isso bom, ou ruim. Mas estava gostando. O outro sábado chegou, e dessa vez você que escolheu o lugar que iria me levar. Cinema. Dava pra ser menos clichê né Edu. Crazy, Stupid, Love foi o escolhido. Não sabia se babava no abdômen do Ryan Gosling, ou se admirava a incrível Julianne Moore, ou até mesmo o perfume que você usou naquela noite, e a maneira fofa que você segurou minha mão. Ok, confesso que queria ser a Emma Stone em inúmeras partes do filme, mas quem nunca?
O filme terminou, e resolvemos estender um pouco a noite caminhando pelas ruas com duas long neckes nas mãos. Parecia uma cena retirada de algum filme água com açúcar daqueles no qual eu sou apaixonada. Eu com meu vestido preto rodado e sapatilha vermelha, com os cabelos soltos desta vez. Você estava uma mistura de idealista que estava pouco se fudendo para o que estava vestindo, com um geek hipster. Depois de anos que fui descobrir que você demorou uma semana para escolher aquele look. E eu achava que só eu estava querendo ser notada. Naquela noite eu descobri que você é um pouco fraco pra bebida, e que costuma falar pelos cotovelos quando esta bêbado. 1 hrs da manhã e nós dois parados na porta da minha casa, abafando as risadas causadas pelo álcool. Então finalmente você conseguiu a pontuação máxima da 3 fase do meu plano. Com as mãos frias, você tirou aquela franja maldita do meu olho que até hoje me irrita, mais ainda mantenho para que você nunca pare de fazer isso. E em menos de 2 segundos eu podia sentir seus lábios macios tocando os meus de maneira meia tremula, mas deliciosa. Aquele beijo se estendeu por uns 20 minutos, mas eu queria que ele durasse mais algumas horas.
4 parte do meu teste. Dessa vez elas começaram a ser mais longas, de uma noite passaram por semanas, ou até mesmo momentos. Na 4 parte, nós já havia chegado naquela fase que se fala toda hora, mais ainda nos víamos com uma frequência bem pequena.
E quando chegou a 5 parte, eu lhe convidei para jantar na minha casa. Depois do jantar furado naquela cantina perto da faculdade, eu prometi que iria preparar o melhor capeletti que você já havia comido na vida. Bem, o molho ficou salgado, e a massa ficou dura. Mas eu ainda tinha uma carta na manga. Acho que te conquistei mesmo depois daquela chessecake de nuttela e com frutas vermelhas. Mas a sobremesa de verdade só veio depois.
Quando finalmente conseguimos chegar a 10 parte, tivemos a nossa primeira briga. E que briga. Eu realmente achei que não iríamos passar dali. Nossa como esse jeito prepotente, e que acha que sabe de tudo me irrita. Ok, eu admito que não sou muito diferente. Mas ás vezes parece que tem um velho turrão de 80 anos dentro de você. Como consegue?. Ah você esqueceu o motivo da nossa primeira briga ? Pois eu faço questão de te lembrar. Lembra daquela vadia que você chamou de namorada por 2 anos, e depois te traiu com seu ex melhor amigo? Então, ela fez questão de te ligar depois que nos viu juntos, só para dizer que a barriga dela é mais chapada que a minha, e que o peito dela é mais empinado que o meu. Só que ela não disse é que a barriga é de lipo, e os peitos contem 500ml de silicone. Agora me diz, pra que tu deu trela pra aquela puta? Sentiu saudades do peso do chifre né, só pode. Ai que ódio. Só de lembrar da vontade de arrancar aqueles cabelo s de vassoura de piaçava que ela carrega na cabeça de ervilha dela. Mas ficou só na vontade. Como sempre te digo, nem você, e nem cara nenhum merece duas mulheres se atracando na meio da rua. E foi ai que eu sumi por algumas semanas. Apesar de me sentir covarde, achei que era necessário. Afinal, a cabeça de ervilha ainda mexia com você.
Algumas semanas se passaram até que a parte 11 fosse iniciada. Ficamos quase um mês sem nos ver, e depois de uma tempestade horrível na cidade, eu me esbarro com você em um café afastado do centro, comendo um pedaço de chessecake de nutella, sem frutas vermelhas.
A única coisa que precisava naquele momento era de um café coado bem forte, e de você me falando que sentia falta das frutas vermelhas. Mas você não falou.
Aquele dia eu percebi o quanto fazia falta aquele sorriso largo, e o quanto eu gostava de você. Mas uma semana, e nada de sequer uma noticia sua. O sábado chegou, junto com uma puta TPM, e uma vontade louca de você, quer dizer, de chocolate. Mas ainda era dia 28, e eu não havia feito mercado naquela semana. Até que, por um passe de mágica, você se materializou na porta da minha casa, com uma caixa de chocolate belga, e uma garrafa de vinho californiano nas mãos, e aquele sorriso de cafajeste estampado na cara com aquele cabelo irritante que mais parecia um corte de um menino de 8 anos. Mas fazer o que se todas essas coisas irritantes me fizeram me apaixonar por ti. Depois de alguns minutos, eu nem mais lembrava que nós estávamos separados, e já lhe arrastei para minha cama. Tudo que eu mais precisava era de você, e do cafuné que só você sabe fazer.
3 semanas depois, e lá estávamos nós arrumando as malas para ir para Paraty. Era nossa primeira viagem juntos, e mais uma parte do meu teste se concluindo, e você tirando nota azul.
Um ano depois do dia que nos conhecemos, já estávamos na parte 15, e havia chegado a hora de eu lhe apresentar para os meus pais. A segunda viagem juntos, uma pilha de bagagens no carro, e você tagarelando até chegar ao nosso destino dizendo o quanto estava apreensivo, e com medo de eles não lhe aprovarem. Que bobagem, quem tem que aprovar alguma coisa sou eu, e você ainda estava em processo de avaliação. 4 horas depois, e lá estávamos nós na mesa com meus pais, e eles lhe interrogando friamente para ver se dava algum passo em falso. Mal sabem eles que eu já havia feito isso. Na verdade eu faço todos os dias, mas da maneira mais doce, e imperceptível possível. Com o aval dos meus pais, eu me sentia ainda mais segura perto de ti. Parecia que só faltava aquilo para que pudesse me entregar de corpo e alma, sem paranoias, e sem duvidas, só eu e você. Depois de umas duas semanas ou mais, lá estava você me apresentando para sua mãe e seus irmãos. Meu Deus, eu nunca comi tanto na minha vida igual aquele dia. Também nunca ri tanto. Finalmente havia descoberto de onde viera essa sua síndrome de Deb Loide. Eu nunca havia me sentido tão leve.
Nos 3 anos seguintes, nós estávamos cada vez mais unidos. No segundo ano de namoro você saiu do AP que dividia com alguns amigos antigos da faculdade, e veio morar comigo trazendo um vira-lata que achara na rua no caminho de casa. O Thor foi só complemento para nos fazer perceber que já não havia mais para onde correr. A gente tava junto, de corpo e alma, e não havia Maria cabeça de ervilha que poderia separa isso. E assim passamos aquele 1 ano de teste para saber se era aquilo mesmo que queríamos, para ter certeza que não iríamos jogar a toalha por conta da tampa da privada levantada, da própria toalha molhada em cima da cama, e dos sapatos espalhados pela casa. Mas com o tempo tivemos a certeza que os bagunceiros oficiais da casa eram Thor e eu. No dia 21 de julho, exatamente ás 22:00 horas, depois de pedirmos comida chinesa, e de comer uns 2 biscoitinhos da sorte, eis que surge o anel mais lindo. Tá, ela não era um solitário da Tiffany, mas o significado dele valia mais do que centenas de solitários. E a vigésima parte do meu plano havia terminado. E adivinha? Você conseguiu a nota máxima mais uma vez.
Depois disso vieram mais alguns testes, mas não convém menciona-los. E eu só escrevi tudo isso para lhe dizer que você chegou à trigésima parte do meu teste. Numero esse que inicia mais um ciclo na nossa vida, e do resultado desses cinco anos juntos. Cinco anos de muito chessecake de nuttela com frutas vermelhas, muita MPB, muita poesia, muita comida chinesa, e muito amor.
E eu realmente espero que ser padrinho do bebê do seu irmão tenha lhe ensinado alguma coisa sobre crianças. Por que senão rapaz…
Desta vez o teste é em dupla. Nós iremos aprender juntos.

