Provavelmente você não faz mínima ideia do efeito que causa em mim. Nem imagina a maneira que projeto você – e como me projeto em ti. Não tem ideia das coisas que eu construo na minha cabeça, e nem sabe que te elegi para ser o meu “ E se.…”
Enquanto você brinca com meu psicológico a cada palavra que me diz, me pergunto se algum dia, ao menos algum dia, vai conseguir ler e entender o roteiro que eu montei em torno de você. Não, eu não tenho uma queda por ti, tenho um penhasco inteiro, e ele é tão grande quanto a barreira invisível que nos separa. E eu não tenho ideia do que fazer e como fazer para derruba-la, não sei nem se consigo isso sozinha, ou se preciso de ti. Preciso, obvio que preciso.
Engraçado é que mesmo distante, te sinto tão perto, como se estivesse quase ao alcance das minhas mãos, como se dissesse nas entrelinhas que também me quer, e é aí que eu me perco toda. Leio e releio cada mensagem, procuro decifrar seus sinais, traduzir palavra por palavra para uma língua que eu entenda. Porque afinal de contas, eu não te conheço direito. Mas ás vezes parece que eu o conheço como a palma da minha mão, mas então logo sinto você escorrendo por elas como areia. Não consigo te entender, não me entendo também, e nessa, continuo sufocando uma agonia quase paranoica de gostar de alguém que não se pode ter.
Talvez eu ria da gente amanhã. Talvez eu ria disso tudo quando finalmente me der conta que te coloquei no meio das minhas lacunas vazias por achar que poderia dar certo. Pode ser que apesar da mesma visão política, do gosto musical parecido, a gente não tivesse mais nada a ver, que o beijo não tivesse tanta química, ou que um dia eu acordasse para entender que a maneira que eu te enxergo não passa de uma fantasia que criei em cima das minhas expetativas de alguém perfeito para mim. Poderia ser qualquer um, mas eu escolhi você.
Mas por via das dúvidas, espero que você perceba como existe. Só peço que pare de colaborar com a minha paranoia, e pare de alimentar esse meu jeito imaturo de gostar de ti. Ou pode continuar, continua até não haver mais distancia, e muito menos barreira entre nós.
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