Sou alguém que agora procura significados escondidos em todas as entre linhas, que acha que cada arrepiou da cabeça aos pés e momentos inesperados querem dizer alguma coisa. Principalmente quando esse arrepiou vem exatamente no momento em que escuto introdução da nossa musica.
Os acordes da melodia entraram pelos meus ouvidos, me fazendo liberar todas as nossas memorias, em forma de arrepios e um frio na barriga. Meu sangue começa a ferver, passando pelas minhas veias a 100km/h, me fazendo transpirar de saudade de ti.
Rebobino todos os nossos diálogos na minha tela imaginaria ,e ainda é difícil de acreditar que não vamos nos encontrar no final do expediente. Queria poder adicionar mais algumas cenas, dizer mais algumas falas, pois não consigo concordar com o enredo desse script.
É uma merda ter que encarar a realidade, entrar em casa, e não ter você me perguntando se temos sorvete. É uma merda entrar no meu quarto ,e deparar com a senhora saudade deitada no seu lado da cama. Por isso, já faz quinze dias que tenho dormido no sofá cama da sala. Não tenho medo de encarar a cama sem você, tenho pavor. Me dá náuseas só de imaginar que seu cheiro almiscarado possa ter evaporado de lá.
Repliquei um dos episódios de Gilmore Girls, e coloquei todos os presentes que me deu na caixinha do esquecimento para jogar fora, coloquei a minha camisa branca manchada de sorvete de chocolate, que nunca mais saiu, desde o nosso primeiro beijo. O ticket da passagem de avião da nossa primeira viagem juntos, e o biquíni que usei na praia na mesma ocasião. Mas não consegui jogar essas memorias tão lindas no lixo. Não consigo fingir que nós dois não existimos.
Enquanto eu não te esqueço, continuo ruminando nossos dias felizes na minha memória. A palavra pode ser horrível, mas é isso mesmo. Tenho tentando replicar as coisas que fizemos juntos, mas agora sem você. Aluguei “Como eu era antes de você” no itunes, comprei seu sabor de sorvete preferido, e estou aqui, no sofá cama, com ressaca de açúcar, me preparando para passar mais uma noite fora da minha cama, fora de mim mesma até.
Não, não tenho me culpado, ou lhe culpado pelo que não deu certo. Eu sempre coloco a culpa no destino, esqueceu? Eu tô puta com ele, não com você. Putassa, porque pela primeira vez em quase 25 anos, eu quis realmente estar com alguém, pela primeira vez eu achei que esse alguém valesse a pena investir meu tempo tão precioso, e trocar minhas calcinhas confortáveis por um fio dental.
Já se passaram algumas semanas, e ainda não consigo te dizer quem eu sou depois de você. Ainda não sei, pois essa pessoa que venho sendo, definitivamente não sou eu.

